Dificuldade de leitura ou preguiça? Fonoaudióloga de Marília explica os sinais da dislexia em crianças

Fonoaudióloga de Marília explica os sinais da dislexia em crianças e quando buscar ajuda Trocar a letra "F" pelo "V" na escrita ou ter dificuldade para ler são ...

Dificuldade de leitura ou preguiça? Fonoaudióloga de Marília explica os sinais da dislexia em crianças
Dificuldade de leitura ou preguiça? Fonoaudióloga de Marília explica os sinais da dislexia em crianças (Foto: Reprodução)


Fonoaudióloga de Marília explica os sinais da dislexia em crianças e quando buscar ajuda Trocar a letra "F" pelo "V" na escrita ou ter dificuldade para ler são alguns dos comportamentos que acendem o alerta entre pais e educadores. Quando persistentes mesmo diante de um ensino adequado, esses sinais indicam a presença da dislexia, um transtorno do neurodesenvolvimento que atinge a capacidade de processamento da linguagem escrita. Apesar de não ter relação com o nível de inteligência ou falta de estímulo, a condição exige um olhar atento e acompanhamento especializado para evitar prejuízos pedagógicos e emocionais. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp ]Em entrevista ao g1, a fonoaudióloga Marília Seno, profissional de Marília (SP), explicou que identificar os sinais logo nos primeiros anos escolares é fundamental para garantir o suporte adequado e o desenvolvimento pleno da criança. Fonoaudióloga de Marília (SP) explica os sinais da dislexia em crianças e quando buscar ajuda Arquivo Pessoal LEIA TAMBÉM Professora adapta aulas para crianças internadas em hospital: 'Muito além de ensinar' Oque há de diferente no cérebro de crianças com altas habilidades e superdotação? Mais de 50 alunos da rede pública de Bauru e Marília são selecionados para intercâmbio A fonoaudióloga detalha que os sinais podem aparecer antes mesmo do início formal da alfabetização. Na educação infantil, por exemplo, a criança pode apresentar dificuldades para aprender rimas e identificar palavras que começam com o mesmo som. Já durante a alfabetização, o transtorno torna mais evidente a dificuldade para associar letras aos seus respectivos sons, ler sílabas e palavras, realizar uma leitura fluente e escrever corretamente. Porém, a especialista destaca que a troca de letras isoladamente não significa ter dislexia. “Um ponto importante é que trocar letras isoladamente não significa ter dislexia. O que chama a atenção é a persistência e o conjunto das dificuldades, independentemente de um ensino de qualidade, apresentando desempenho abaixo do esperado”, explica Marília. Marília Seno, Fonoaudióloga de Marília (SP) explica os sinais da dislexia em crianças e a importância do diagnóstico precoce Arquivo Pessoal No caso de crianças mais velhas e adolescentes, a leitura pode ser estabelecida, mas permanecer lenta e pouco automática. Também podem persistir dificuldades ortográficas, além de barreiras para compreender e produzir textos mais extensos. Como diagnosticar? A fonoaudióloga ressalta que o diagnóstico deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar com profissionais de diversas áreas, como neuropsicólogo, psicopedagogo e neuropediatra, além do acompanhamento com fonoaudiólogo. A Dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento que atinge a capacidade de processamento da linguagem escrita. Canva/ reprodução Marília explica que são investigadas habilidades que vão além da leitura e da escrita, como a consciência fonológica, e que o histórico familiar também é peça importante na avaliação. “São investigadas não apenas a leitura e a escrita, mas também habilidades que dão suporte à aprendizagem, como consciência fonológica, memória, atenção, linguagem oral, processamento auditivo e visual, entre outras. O atraso na aquisição da fala, trocas persistentes na fala durante a infância e histórico familiar de dificuldades semelhantes podem ser importantes sinais de risco para dislexia”, esclarece a fonoaudióloga. Dificuldade na escola Meyme Vasconcelos é mãe da Helena Vasconcelos, de 14 anos, que é paciente da fonoaudióloga. Ela relata que o diagnóstico da filha veio entre os 9 e 10 anos, no fim da fase de alfabetização. A família percebeu que a garota tinha um bom reconhecimento de vocabulário, mas enfrentava barreiras gramaticais. “Existia uma grande dificuldade na troca do F pelo V, do G pelo J, entre outras, mesmo com fluência de leitura e conhecimento de vocabulário. A Helena relatava um sofrimento para acompanhar a turma e, mesmo se esforçando, chegou a não querer ir para a escola”, conta Meyme. Helena Vasconcelos, de 14 anos, é paciente da fonoaudióloga Marília Seno e relata os avanços com o acompanhamento Arquivo Pessoal Para o diagnóstico precoce, a escola exerce um papel fundamental ao notar o desvio de aprendizagem em relação à média esperada para a faixa etária. Meyme lembra que a instituição de ensino ofereceu o suporte inicial e as orientações para o início da investigação. Marília reforça que a identificação antecipada colabora diretamente para a evolução e aprendizagem do paciente. “Quanto mais cedo os sinais forem identificados e a intervenção adequada for iniciada, menores tendem a ser os impactos das dificuldades sobre a aprendizagem, o desempenho escolar e a autoestima da criança”, destaca a profissional. Tratamento Sobre a intervenção, a fonoaudióloga reforça que a dislexia não é uma doença e, portanto, não se fala em cura. O tratamento é direcionado às dificuldades específicas identificadas na avaliação de cada paciente. O objetivo do acompanhamento é desenvolver as habilidades prejudicadas e oferecer estratégias para que o aluno aprenda com maior eficiência. As sessões devem ser individualizadas e voltadas à consciência fonológica, relação entre letras e sons, decodificação, fluência, compreensão de leitura, ortografia e produção escrita. A fonoaudióloga aponta ainda que, além das barreiras pedagógicas, a dislexia pode interferir na autoestima e provocar comportamentos de fuga e recusa à leitura. Diante disso, a escola deve adotar estratégias e adaptações que garantam ao aluno o acesso ao conteúdo e condições adequadas para demonstrar o que aprendeu. Atendida desde o diagnóstico pela fonoaudióloga, a estudante Helena conta que hoje não enfrenta tantas dificuldades e ressalta a importância do apoio escolar. “A única diferença que vejo dentro da escola é que faço a prova em uma sala separada e tenho um leitor para mim. Minha prova é adaptada no sentido de ter mais questões de alternativa, o que facilita o entendimento do assunto e evita erros gramaticais”, conclui a adolescente. Helena Vasconcelos, de 14 anos, é paciente da fonoaudióloga Marília Seno e relata os avanços com o acompanhamento Arquivo Pessoal Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

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