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Brasileira que viajou ao Egito para recuperar filho abre queixa contra pai da criança após polícia não encontrá-lo

Mãe que viajou ao Egito para recuperar filho faz queixa contra pai por recusa Após a conquista da guarda no Egito, a defesa de Karin Rachel Aranha Toledo info...

Brasileira que viajou ao Egito para recuperar filho abre queixa contra pai da criança após polícia não encontrá-lo
Brasileira que viajou ao Egito para recuperar filho abre queixa contra pai da criança após polícia não encontrá-lo (Foto: Reprodução)

Mãe que viajou ao Egito para recuperar filho faz queixa contra pai por recusa Após a conquista da guarda no Egito, a defesa de Karin Rachel Aranha Toledo informou que foram realizadas duas tentativas de busca pelo filho, Adam, sem sucesso. Durante as buscas nos dias 7 e 23 de fevereiro, nos endereços do pai e da avó paterna, o menino não foi encontrado, e os advogados fizeram queixa contra ambos na Justiça egípcia, segundo Karin. "Eu nunca senti na minha vida que eu estava tão perto do meu filho. E eu sei que uma hora ou outra essa briga de gato e rato vai acabar", afirmou a mãe. ➡ Karin morava em Valinhos (SP) com o filho e o marido, Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkalec. Porém, em setembro de 2022, ao voltar de uma viagem da Europa, a mulher não encontrou ninguém em casa. O homem viajou para o Egito com o menino que, na época, tinha 4 anos, sem aviso e sem a autorização de Karin. 🔎 No Brasil, o caso chegou a ser investigado pela Polícia Federal e, em 2023, a Justiça Federal de Campinas (SP) determinou a prisão preventiva de Ahmed. Karin abriu processo no Egito, para onde se mudou, e, em novembro de 2025, conquistou a guarda do filho em uma sentença do Tribunal de Apelações do Cairo. LEIA MAIS Após 3 anos sem ver o filho, brasileira conquista guarda no Egito, mas menino segue com pai ⏳ Linha do tempo: entenda os principais fatos da luta de Karin pela guarda do filho Segundo os advogados de Karin, a queixa trata de contravenção penal contra o pai e a avó paterna pela recusa em entregar o garoto à pessoa legalmente autorizada a mantê-lo sob guarda, conforme a legislação egípcia. A defesa afirmou que é improvável que o pai tenha deixado o Egito com a criança, porque há proibição de viagem em vigor — a saída só poderia ocorrer com consentimento conjunto dos pais ou ordem judicial expressa, caso em que Karin seria formalmente notificada. Buscas sem sucesso Karin contou que, para entrar nos imóveis durante as buscas, o oficial de Justiça precisou acionar um marceneiro para arrombar as portas de entrada. "Nunca vi uma casa tão escura, tão fechada, tão nojenta assim, sabe? Horrível ver que o meu filho tá ali naquele canto que não tem nem quarto, porque é sete pessoas com um apartamento de dois dormitórios, é triste, sabe?", relatou. Uma situação que amplia a angústia da manhã para rever um filho que passou por muitas mudanças em anos de luta na Justiça. "Já ficou feio pra ele, até pro prédio. Todos os vizinhos saíram. Imagina eu falando com todos os vizinhos, você conhece o Adam? 'Sim, ele mora aqui'. Aí todo mundo conhece o meu filho. Nem eu conheço. São quase quatro anos de busca, a criança já mudou, né?", diz. Apesar da frustração, Karin nutre a esperança de que a situação se resolva após o avanço pela ganha da guarda no Egito, e ela crê que o filho será encontrado e, enfim, poderá reencontrá-lo. "Eu juro pra você, eu tô tentando de todos os jeitos, a embaixada pressionando. Mais cedo ou mais tarde vai encontrar. Agora é aguardar. Mas eu tenho a sensação de que não vai ser estendido", diz. Decisão na Justiça egípcia A ativista campineira Karin Rachel Aranha Toledo conquistou, na Justiça do Egito, a guarda do filho Adam, que não vê há três anos. Arquivo pessoal A sentença do Tribunal de Apelações do Cairo reverteu a decisão de primeira instância que havia retirado a guarda de Karin e transferido o menino para a avó paterna, sob a alegação de que a mãe era "inapta para cuidar do filho e inadequada para exercer sua guarda". No documento, traduzido por uma tradutora juramentada, os juízes afirmam que as acusações usadas pela família de Ahmed para afastá-la eram baseadas em “boatos” e que as alegações apresentadas pelo pai e pela avó paterna não tinham fundamento. A decisão ainda reconheceu que Karin se converteu ao Islã em 14 de julho de 2024, desmontando a alegação de que ela representaria risco à formação religiosa da criança. O tribunal determinou que Adam deve ficar sob a guarda da mãe e condenou os réus ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios nas duas instâncias. "A entidade responsável pela implementação deve agir mediante solicitação, e a autoridade competente deve auxiliar na sua execução, inclusive com o uso da força, se solicitado", diz o texto da sentença. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Brasil x Egito: por que é difícil repatriar crianças? ➡ O Brasil é um país signatário da Convenção de Haia sobre os aspectos civis do sequestro internacional de crianças. O tratado internacional especifica em quais condições crianças podem sair do seu país de residência habitual sem o pai ou sem a mãe. Com base nesse pacto, quando não há acordo entre os genitores sobre essa saída, um dos lados pode acionar as autoridades alegando sequestro. O Egito, porém, não aderiu à Convenção e, por isso, não há Autoridade Central designada para o tema no país, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Ainda de acordo com o Ministério, estão sendo realizados esforços para incluir os países de cultura jurídica islâmica a partir do Processo de Malta, que, desde 2014, para que haja aproximação com esses países e maior sintonia em defesa dos direitos das crianças, visando a manutenção de vínculos parentais com as famílias. Em relação ao caso de Adam, o MJSP informou que "os esforços do Estado brasileiro têm-se concentrado na tramitação diplomática dos pedidos para o Egito, na tentativa da resolução desse caso". Já o Ministério das Relações Exteriores reforçou que acompanha o caso através da Embaixada do Brasil no Cairo, em contato com as autoridades locais, e que presta assistência consular à criança e à família. "São três anos sem saber do rostinho do meu filho", diz a mãe Karin Rachel Aranha Toledo, que aguarda cumprimento de sentença para recuperar guarda do menino Adam no Egito. Arquivo pessoal VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas.

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